Quando vc estiver apresentando o trabalho, não pense em você, mas no assunto que você está falando. O foco tem que ser o assunto, e não a sua pessoa…vá com uma roupa bem neutra, que ajuda…as pessoas vão te olhar, mas quando elas virem que vc está focado no assunto, elas também vão se focar no assunto… perceba que a sua pessoa é coisa secundária, ou nada, se preferir, e que o principal é o assunto que está sendo tratado.
”Tímido” – Ana Rosa Abril 28, 2008
Tipo curioso. Não gosta de chamar a atenção, no entanto, por um suspiro, fica tão vermelho que um estádio de futebol inteiro poderia notar sua presença. Quando tenta esconder-se acaba colocando-se em evidência por causa de seu comportamento tão diferente dos demais. Se preferir ficar quieto, para que não o notem, logo verá, horrorizado, vários pares de olhos voltados em sua direção. E, muito pior, escutará alguns comentários constrangedores. O tímido tem tanto pânico de vexames que, curiosamente, sempre acaba sendo aquele que come o cubo de manteiga, pensando ser queijo. Muitos atreveram-se a descreve-lo ou mostrarem as razões pelas quais tal sujeito costuma ser um desastre social. O problema é que dificilmente teremos o tímido por ele mesmo, já que tendem a esconder-se. Quase sempre esses comentários serão feitos por extrovertidos convictos.
Diante de um indivíduo tão singular, decidi aventurar-me em uma análise, ainda que superficial, de sua personalidade. Os tímidos não são todos iguais. Existem tipos diferentes, que reagem de formas diferentes. Entre eles, destaco três. O primeiro é o falante, aquele que se pronuncia tanto que ninguém o percebe tímido. Normalmente é um sujeito muito alegre e bem relacionado, porém, se algo inesperado acontecer, pondo em risco sua segurança, esse tipo logo surpreenderá àqueles que o consideravam extremamente sociável, com um comportamento que lembrará um verdadeiro aborígene. O segundo caso seria o arrogante, que se protege dos outros com uma armadura de aço. É um sujeito solitário, pois visto pelos demais como pedante, é logo isolado e jogado no esquecimento. Na realidade, ser esquecido é tudo o que ele mais quer. Esses dois primeiros tipos tentam disfarçar a timidez, um com a falsa alegria, o outro com a falsa superioridade. O terceiro caso é, sem dúvida, o que mais chama a atenção das pessoas, e também, o que mais expõe sua timidez, tornando-se mais vulnerável que os outros. Seria aquele que fica vermelho e sua frio sempre que precisa falar em público. Embora demonstre ser o mais fraco de todos, na verdade, o medo que tem, e que pensa ser das pessoas e do mundo, é de fato, medo de sua própria agressividade, pois esse tipo esconde um ser selvagem, e por esse motivo tão anti-social. Para podermos entender esse tipo de timidez é interessante pensarmos no animal que, se sentindo ameaçado, espreita arisco a sua presa, atacando-a no momento oportuno, mas também, fugindo quando é preciso. É claro que essa situação não é problema para um animal que vive na floresta, já para um homem que vive em sociedade é o caos.
Os tímidos possuem muitos truques para se livrarem de perguntas que eles julguem inconvenientes. Interrogue um deles, sobre qualquer assunto, e poderá obter como resposta um simples “pois é”. Você, então, ficará esperando a seqüência da frase e, depois de alguns minutos, perceberá que o “pois é” é começo, meio e fim da afirmativa e certamente o tímido não dirá mais nada. A essa altura do diálogo a conversa já morreu, você conclui que não vale a pena voltar ao assunto e sua pergunta fica mesmo sem resposta. Outro truque é o manto de invisibilidade que, depois dos vexames iniciais, eles vestem com a maior facilidade. Você simplesmente não o enxergará mesmo que ele esteja ao seu lado. Às vezes penso que essas pessoas, tão misteriosas, talvez pertençam a algum tipo de sociedade secreta, dessas que ensinam a fazer chover, ventar ou desaparecer pessoas.
A timidez em uma pessoa comum é considerada um terrível defeito, já em alguém com certo destaque pode ser visto como um charme. A vida social de um tímido não é fácil. Imagine a situação de um tímido sozinho em uma festa. Chega, obviamente, querendo se enturmar, mas já com a cara fechada. Todos se divertem, riem e conversam. Ele desejando muito participar, mas, desvia sempre que alguém o olha. Fica quietinho em um canto e quando tentam se aproximar, foge escorregadio. Ao final da festa, retira-se pensando: “eram muito antipáticos, me isolaram o tempo todo”.
”O tímido” Luis Fernando Veríssimo Abril 28, 2008
Ser um tímido notório é uma contradição. O tímido tem horror a ser notado, quanto mais a ser notório. Se ficou notório por ser tímido, então tem que se explicar. Afinal, que retumbante timidez é essa, que atrai tanta atenção? Se ficou notório apesar de ser tímido, talvez estivesse se enganando junto com os outros e sua timidez seja apenas um estratagema para ser notado. Tão secreto que nem ele sabe. É como no paradoxo psicanalítico, só alguém que se acha muito superior procura o analista para tratar um complexo de inferioridade, porque só ele acha que se sentir inferior é doença.
Todo mundo é tímido, os que parecem mais tímidos são apenas os mais salientes. Defendo a tese de que ninguém é mais tímido do que o extrovertido. O extrovertido faz questão de chamar atenção para sua extroversão, assim ninguém descobre sua timidez. Já no notoriamente tímido a timidez que usa para disfarçar sua extroversão tem o tamanho de um carro alegórico. Daqueles que sempre que-bram na concentração. Segundo minha tese, dentro de cada Elke Maravilha existe um tímido tentando se esconder e dentro de cada tímido existe um exibido gritando “Não me olhem! Não me olhem!” só para chamar a atenção.
O tímido nunca tem a menor dúvida de que, quando entra numa sala, todas as atenções se voltam para ele e para sua timidez espetacular. Se cochicham, é sobre ele. Se riem, é dele. Mentalmente, o tímido nunca entra num lugar. Explode no lugar, mesmo que chegue com a maciez estudada de uma noviça. Para o tímido, não apenas todo mundo mas o próprio destino não pensa em outra coisa a não ser nele e no que pode fazer para embaraçá-lo.
O tímido vive acossado pela catástrofe possível. Vai tropeçar e cair e levar junto a anfitriã. Vai ser acusado do que não fez, vai descobrir que estava com a braguilha aberta o tempo todo. E tem certeza de que cedo ou tarde vai acontecer o que o tímido mais teme, o que tira o seu sono e apavora os seus dias: alguém vai lhe passar a palavra.
O tímido tenta se convencer de que só tem problemas com multidões, mas isto não é vantagem. Para o tímido, duas pessoas são urna multidão. Quando não consegrie escapar e se vê diante de uma platéia, o tímido não pensa nos membros da platéia como indivíduos. Multiplica-os por quatro, pois cada indivíduo tem dois olhos e dois ouvidos. Quatro vias, portanto, para receber suas gafes. Não adianta pedir para a platéia fechar os olhos, ou tapar um olho e um ouvido para cortar o desconforto do tímido pela metade. Nada adianta. O tímido, em suma, é uma pessoa convencida de que é o centro do Universo, e que seu vexame ainda será lembrado quando as estrelas virarem pó.